Archive for the 'Patrimonio Histórico' Category

23
mar
13

A PONTE POLÍTICA

A PONTE POLÍTICA

Como diria o Walther Ostermann, acho que enterraram mais uma caveira de burro. É impressionante como os blumenauenses legítimos – não importa a geração – conseguem dificultar as coisas mais simples. Senão vejamos.

Há dez anos o atual secretário de Planejamento era o presidente do IPPUB – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano – na gestão do prefeito Décio Lima.  Nós conselheiros discutimos  todas as opções apresentadas para a localização da nova ponte do centro, inclusive a opção da Rua Alwin Schrader. Foi aprovada a ponte na Rua Chile e até avaliamos um anteprojeto da Prefeitura e o seu custo.

Em “Sobre as novas pontes” publicado no Santa em 9 de maio de 2012 – dia em que o COPLAN aprovou pela segunda vez a ponte na Rua Chile,  eu falava em “oportunidades anteriores desperdiçadas por interesses corporativos ou políticos”. Felizmente prevaleceu o bom senso e o local foi referendado. Depois foi  realizado com sucesso um concurso nacional de arquitetura e contratados por um milhão de reais os projetos executivos. Fiquei eufórico quando o prefeito João Paulo conseguiu aprovar a verba no BID para construir as duas pontes.

Iniciadas as obras de urbanização da margem esquerda, devolvendo uma área pública ao convívio social, ao lazer e à contemplação com a criação de um circuito ciliar de 5 mil metros em pleno centro urbano, Histórico e paisagístico da cidade para caminhadas e passeios ciclísticos, fui tomado de uma satisfação incomensurável, pois imaginava o que seria uma referencia nacional em termos de urbanização central. Sem dúvida seríamos uma atração turística única e exclusiva, sem similar, trazendo desenvolvimento econômico a todos.

Mas veio a eleição e os marqueteiros e as pesquisas precisam de discussões e referencias, que foram criadas e bem aproveitadas pelo candidato vitorioso, pois conseguiram transformar a ponte do “centro” literalmente numa ponte para atender unicamente ao bairro do Garcia. Apesar da única solução do Garcia ser a ligação Velha-Garcia, parte do Anel Perimetral iniciado com a Ponte do Badenfurt e que terá sequencia imediata agora com as obras do  prolongamento da Rua Humberto de Campos.

A ponte da Rua Chile jamais pretendeu facilitar o acesso ao Garcia ou vice-versa. Ela pretende – ao menos eu sempre entendi assim desde que ajudei a aprová-la no governo Décio Lima – que melhoraria (e muito) a mobilidade no centro da cidade. Na minha modesta opinião tudo o que se faz agora é procurar justificativas ou argumentos populares para projetos erroneamente criados para sucesso em campanha política, como eu já havia previsto durante a campanha.

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23
mar
13

PACTO POR BLUMENAU

19.11.2012 - Pacto por Blumenau

15
jul
12

VERTICALIZAÇÃO URBANA

VERTICALIZAÇÃO URBANA

A construção de um edificio no Bairro Bom Retiro reacende a discussão sobre a verticalização urbana e provoca reações em sua grande maioria contrárias, destacando-se um excelente artigo da arquiteta Angelina Wittmann publicado no Santa em  21.04.12.

Sem discutir se os ônibus que visitam o bairro procuram ver um autentico ambiente europeu  preservado ou se querem comprar camisetas em loja de fábrica, gostaria de dizer que não concordo com a sua verticalização, pois destruirá a belíssima paisagem urbana construída naturalmente pela cidade e que abrange uma série de elementos sociais e culturais.

Defendo desde 2005 que a verticalização urbana sem limite de altura é uma solução e não um problema, pois permite reduzir custos de abastecimento de água, esgoto, drenagem, energia elétrica, comunicação, atendimento hospitalar, educacional, transporte e segurança. Criando um modelo de ocupação “lote quadra”, em que vários pequenos lotes são comprados e unificados, constituindo-se uma área maior que é ocupada por altas torres de apartamentos cercadas por espaços livres. Como diz o prof. Edward Glaeser (Harvard), “não há lugar melhor para se viver do que em uma grande cidade, pois é justamente em ambientes de grandes aglomerações que os mais variados talentos podem conviver e aprender entre sí…, aumentando as chances de ganhar mais e ter acesso ao que há de mais avançado”.

Infelizmente está havendo um desvirtuamento do que foi incluído na última revisão do Plano Diretor, pois falta critério na análise da taxa de ocupação do solo e na preservação da paisagem urbana. A  lógica é muito simples – quanto mais alto o edifício, mais baixa a ocupação do terreno. Permito-me até sugerir – altura livre mas ocupação máxima de 20 ou 25% . Evitaremos mudanças de insolação e arejamento, impermeabilização dos pisos dificultando a absorção de água, sobrecarga na rede viária, de esgoto e de água, alterações no micro-clima e falta de privacidade pela proximidade das edificações.

O que está acontecendo em dois exemplos recentes – Bom Retiro e Ponta Aguda – será uma modificação rígida na nossa paisagem urbana. Lamentável, pois será irreversível!

 

25
jun
11

Arquitetura enxaimel em Blumenau?

Já escreví artigo e emití a minha opinião várias vezes, mas este artigo publicado no Jornal de Santa Catarina em 11 de junho de 2011 pela professora Maria Terezinha Heimann é a melhor matéria que já lí a respeito.

Por isso tomo a liberdade de reproduzir abaixo o texto integral, parabenizando a autora pela clareza e simplicidade:

JSC – 11/06/2011 | N° 12277

ARTIGO

Arquitetura em Blumenau

 

Li nos últimos dias, no Santa, manifestações a respeito do projeto arquitetônico da ampliação do Arquivo Histórico de Blumenau, colocando que o mesmo deveria seguir a linha de algumas construções típicas da cidade e deixando claro que assim estaríamos preservando a arquitetura alemã. Quero parabenizá-los pela preocupação com a preservação do enxaimel da cidade, porém, quero acreditar que se fala do enxaimel autêntico, aquele ainda preservado em nossa arquitetura antiga, e não nos falsos enxaimeis que nada acrescentam à história da colonização alemã.

A carta de Atenas, de 1933, apresentada no Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, ao se referir à vida de uma cidade, fala da arquitetura como um acontecimento contínuo, que se manifesta ao longo dos séculos e surge de obras materiais, traçados ou construções que lhes garantem personalidade própria e que pouco a pouco serão respeitadas como valor histórico. Preocupava a destruição dos verdadeiros valores arquitetônicos, pois, com o crescimento, passou-se a usar estilos do passado sob pretexto estético.

Tais métodos são contrários à grande lição da história. As obras-primas do passado mostram que cada geração teve sua maneira de viver e pensar, suas convicções sociais, políticas e estéticas, recorrendo a elas como um trampolim para sua criação imaginária com os recursos oferecidos na época. Assim, copiar o passado é condenar-se à mentira, ao falso, pois as antigas condições de trabalho não podem ser reconstituídas. A aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. E nos faz desacreditar do autêntico, o qual devemos nos empenhar em preservar.

Por isso, reafirmamos a importância de suas colocações e destacamos que o projeto de ampliação do Arquivo Histórico de Blumenau foi bastante discutido pela equipe de arquitetos e pela Associação do Amigos do Arquivo Histórico, e, com certeza, será um marco na preservação adequada da memória cultural da região.

MARIA TERESINHA HEIMANN|Presidente do Instituto de Artes Integradas de Blumenau

03
abr
10

ESTILOS EM ARQUITETURA ?

“Pois bem, não existem estilos. Mas existe arquitetura. De cada época da vida humana, há milhares de anos.O que a História e o povo depois chama de estilo na verdade é como a vida da gente. Vivemos exatamente – a cada dia e a cada hora – o momento presente. Isto é a nossa Vida. Nem o que aconteceu ou poderíamos ter feito no passado e nem o que irá acontecer ou faremos no futuro. O passado serve para lembrar das coisas boas que fizemos e o futuro serve apenas para sonhar.

Entendo assim a Arquitetura. Arte de planejar espaços, com a tecnologia atual. Para a Vida do Ser Humano – morar, trabalhar, ter lazer, educar os filhos, se locomover.”

Escreví este texto que foi publicado no Jornal de Santa Catarina em 11 de junho de 2008  e o coloquei  no meu blog em no dia 24 de julho de 2008 – https://blogdolindner.wordpress.com/2008/07/24/nao-existem-estilos-existe-arquitetura/ .

Há alguns dias recebí uma mensagem do colega arquiteto João Noll, professor na FURB e participante de um “mailing” comum do IAB Blumenau. Muito interessante, pois ilustra de uma forma simples e clara o que quís dizer com aquele texto publicado anteriormente.

Vale a pena ver. É simples, direto e….hilário. Outra comparação eficiente seria com os automóveis, não é? pois ninguém compra um veículo antigo, a não ser que tenha muito dinheiro e o deixe parado na garage! utilizando um com tecnologia e design atual para a sua locomoção.




Perfil do autor

Arquiteto e Urbanista graduado no Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná em 1970, quando ainda não existia a Arquitetura na Federal de Santa Catarina. Em 1971 trabalhei em São Paulo e exerço a profissão desde 1972 em Blumenau, inicialmente como autônomo. Entre 1974 e 1990 como sócio da Lindner Herwig Shimizu Arquitetos e atualmente como sócio-diretor da A + C Arquitetura. Gosto da boa arquitetura e me preocupo com a questão urbana e com o desenvolvimento social e econômico da cidade de Blumenau e do Vale do Itajaí nas próximas décadas, sem perder a sua identidade paisagística e cultural e os valores morais e éticos.
O meu grande desafio como arquiteto é viabilizar a edificação dos projetos para que estes não se transformem em meras idéias de arquitetura.

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